O universo é poesia. Adoro organoléptico do intelecto.

“Estude enquanto os outros dormem; trabalhe enquanto os outros folgam; prepare-se enquanto os outros brincam; e sonhe enquanto os outros desejam.”

sábado, 12 de março de 2011

Café com Nostalgia '

Ele tinha cor preta,quente,super quente. Ela tinha as mãos frias,quando sofria. Sempre um olhar por baixo,não encarava o rosto de ninguém.Na dela,retraída,totalmente em depressão.Talvez porque sofreu muito.Assim andava,essa menina dos olhos castanhos escuros,com os cabelos cacheados,as unhas comidas pelo medo,pela ansiedade.Isso tudo deixava ele sempre seguro.Ele,que tinha cor preta,nunca era abandonado por ela. Nunca mesmo.Sempre o acompanhava em suas leituras,em seus pensamentos,em suas noites mal dormidas,em sua plena tristeza. Tão grande como a vontade de um suicída. Busca pelo prazer,de acabar com sua vida,com seu eu,assim seguia a pequena menina com carinha de nova,de porte pequeno.Não passava de um metro e sessenta e cinco de altura. Ah,quanta desgraça na sua vida.Só irrealizações! Coisas jamais praticadas,congeladas em sonhos e ilusões. A vida não se acabou porque ela sabe a quantidade de uma boa dose de nostalgia. Não se encerrou ainda porque a dose de uma nostalgia é uma dose de café amargo. É semelhante,muito parecido mesmo! E ele,de cor preta,será seu companheiro em todas as suas crises nostálgicas.Esse café amargo que alivia um pouco da dor,que tira um pedaço da incoerência do que não volta,nunca mais voltará,será sempre o pretinho que acompanha em suas mãos frias,enquanto sofrer.Para aquecer.Para amortecer a dor.E fazer parte da sua imensa nostalgia ao inverno.

Um comentário: